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NVIDIA Vera Rubin NVL72: guia técnico e executivo de refrigeração líquida e AI Factory

EnQ Digital·04 de setembro de 2026

Um NVIDIA Vera Rubin NVL72 não é apenas um rack de GPUs de altíssima densidade. Ele é o núcleo de uma AI Factory: uma plataforma que converte grandes volumes de dados e energia elétrica em treinamento de modelos, inferência, raciocínio de IA, simulação científica e resultado de negócio em escala. Este guia percorre a cadeia completa de decisões — do business case ao dimensionamento térmico e hidráulico, seleção de CDU, comissionamento e operação.

O encadeamento é sempre o mesmo: a demanda define a escala; a escala define potência e carga térmica; a carga térmica define vazão, ΔT e ΔP; e o ΔP define a bomba, a CDU e a planta hidráulica. Pular uma etapa transfere incerteza para a obra, onde a correção custa mais e compromete prazo.

Sobre este material: os números aqui são referenciais públicos de plataforma e de pré-projeto. A NVIDIA ainda classifica várias especificações Rubin como preliminares. O Reference Design e o Site Planning Guide da configuração efetivamente adquirida devem prevalecer sobre qualquer cálculo preliminar deste texto.

Rack NVIDIA Vera Rubin NVL72 ao lado de um rack de potência 800 VDC em exposição
Vera Rubin NVL72 em exposição ao lado do rack de potência 800 VDC. Crédito: NVIDIA / registro editorial reproduzido no e-book EnQ Digital.

Sumário executivo

Cada parte responde a uma decisão específica. Gestores começam pelas três primeiras linhas; engenharia avança pelas disciplinas técnicas; operação concentra-se em comissionamento, telemetria e indicadores; compras usa as matrizes e o RFI para estruturar cotação, equalização técnica e aceite.

ParteConteúdoDecisão principal
Business caseQuando uma AI Factory se justificaConstruir, alugar GPU em cloud ou híbrido?
AplicaçõesSetores, workloads e objetivosQue carga vai ocupar o cluster?
Cases reaisBlackwell GB200/GB300 em produçãoQue modelo econômico já foi validado?
ArquiteturaRubin GPU, Vera CPU, HBM4, NVLink 6O que o rack entrega como sistema?
CoolingDLC, FWS, CDU, TCS e 45 °CComo o calor sai do chip até a atmosfera?
DimensionamentokW, LPM, m³/h, ΔT, ΔP e Pump HeadQue vazão e que pressão o projeto exige?
Seleção de CDUCritérios, marketplace DSX e fabricantesQual CDU atende ao operating point real?
ElétricaCabinet TDP, kVA e consumoQuanta potência e energia reservar?
OperaçãoBMS, comissionamento, riscos e RFIComo provar e sustentar o desempenho?

Por que construir um supercomputador desta classe

O objetivo central é reduzir drasticamente o tempo para treinar, ajustar e executar modelos e simulações que seriam impraticáveis em infraestrutura convencional — preservando baixa latência entre GPUs, grande memória agregada e alta eficiência por unidade de trabalho. O valor não está apenas nos FLOPS.

  • Time-to-solution: reduzir semanas ou meses de treinamento e simulação para dias ou horas.
  • Modelos maiores: treinar, ajustar e servir LLMs, modelos multimodais e Mixture-of-Experts com centenas de bilhões ou trilhões de parâmetros.
  • Raciocínio em escala: sustentar inferência com long context, agentes e cadeias de raciocínio que consomem muito mais compute que um chatbot tradicional.
  • Soberania e privacidade: manter dados, modelos e propriedade intelectual dentro de infraestrutura controlada pela organização ou pelo país.
  • Convergência AI + HPC: usar a mesma fábrica para IA, análise massiva de dados, simulação numérica e workloads científicos.
  • Economia por token: em cargas grandes e contínuas, desempenho por watt, utilização e velocidade de comunicação determinam o TCO.
  • Monetização: provedores de cloud e data centers podem transformar a infraestrutura em GPU-as-a-Service, training-as-a-service e inference-as-a-service.

Quando faz sentido — e quando não faz

Um cluster NVL72 se justifica quando existe demanda sustentada por computação paralela, grandes datasets, forte comunicação GPU-GPU, necessidade de baixa latência, soberania de dados ou volume de inferência suficiente para amortizar a infraestrutura. Para projetos pequenos, experimentais ou com utilização esporádica, cloud pública ou clusters menores tendem a apresentar melhor relação econômica.

IndicadorSinal de que uma AI Factory pode fazer sentido
TreinamentoModelos proprietários grandes, treinamento recorrente ou fine-tuning contínuo.
InferênciaBilhões de tokens/dia, baixa latência e agentes executando fluxos complexos.
DadosPetabytes ou datasets estratégicos que não devem sair do domínio controlado.
HPCSimulações altamente paralelas: CFD, FEA, clima, dinâmica molecular ou seismic.
NegócioCapacidade usada continuamente ou revendida como serviço de GPU/IA.
SoberaniaRequisitos de residência de dados, segurança, compliance ou propriedade intelectual.

Para quais áreas a plataforma é útil

A mesma infraestrutura atende IA generativa e HPC. O ganho aparece principalmente quando o problema pode ser paralelizado e exige grande largura de banda de memória e comunicação entre aceleradores.

ÁreaWorkloads típicosObjetivo
AI Labs / LLMFoundation models, MoE, multimodal, reasoning, fine-tuning e RL.Criar modelos proprietários e reduzir tempo de treinamento.
Cloud / Data CenterGPUaaS, bare metal GPU, inference endpoints, clusters dedicados.Monetizar capacidade e atender clientes de IA/HPC.
Bancos e finançasFraude, AML, risco, pricing, modelos tabulares, agentes e análise documental.Processar grandes bases e executar IA privada com baixa latência.
Saúde e life sciencesDrug discovery, dinâmica molecular, genômica, protein design e imagem médica.Reduzir ciclos de pesquisa e testar mais hipóteses.
Indústria e engenhariaCFD, FEA, digital twins, generative engineering, robótica e visão industrial.Diminuir prototipagem física e acelerar otimização.
Energia, óleo e gásSeismic imaging, reservoir simulation, otimização de rede e manutenção preditiva.Aumentar resolução e reduzir tempo de decisão operacional.
Clima e meio ambienteWeather forecasting, climate modeling e assimilação de dados.Executar previsões mais rápidas e de maior resolução.
TelecomPlanejamento de RF, otimização de rede, IA para NOC e modelos de tráfego.Automatizar operação e prever congestionamentos e falhas.
Governo / Sovereign AILLMs nacionais, pesquisa, defesa cibernética e serviços públicos.Preservar soberania de dados e capacidade estratégica de IA.
CybersecurityDetecção em larga escala, análise de malware e SOC com agentes.Correlacionar grandes volumes de telemetria e acelerar resposta.
Mídia e conteúdoGeração de vídeo, imagem, áudio, tradução e renderização neural.Produzir conteúdo multimodal em grande escala.
Pesquisa científicaFísica, química, materiais, astronomia, bioinformática e métodos híbridos.Explorar espaços de solução antes inviáveis por custo computacional.

Exemplo prático: uma instituição pode usar o mesmo cluster durante o dia para inferência e agentes corporativos e, em janelas planejadas, alocar milhares de GPUs para treinamento, simulação ou processamento científico via Kubernetes/Slurm. O valor vem da utilização compartilhada e da capacidade de orquestrar workloads distintos.

Cases reais com Blackwell B200 e GB200 NVL72

Os sistemas Blackwell anteriores ao Rubin já demonstram como uma AI Factory é utilizada em produção. Esses casos ajudam a entender o tipo de workload e o modelo econômico que o Vera Rubin tende a ampliar.

Nomenclatura: B200 e B300 referem-se às gerações de GPU Blackwell e Blackwell Ultra. GB200 e GB300 combinam Grace CPU + Blackwell GPU no Superchip e, no NVL72, formam o sistema rack-scale com 72 GPUs.

CaseSistemaO que demonstra
CoreWeaveGB200 NVL72Em abril de 2025 a NVIDIA anunciou milhares de GPUs Grace Blackwell ativas; Cohere, IBM e Mistral AI passaram a treinar e servir modelos de raciocínio e agentic AI.
Oracle / OCIGB200 NVL72 liquid-cooledPrimeira onda de racks em operação, com milhares de GPUs Blackwell para OCI e DGX Cloud, combinando Quantum InfiniBand e Spectrum-X Ethernet.
NeoSpaceGB200 NVL72 via OCICase latino-americano: NeoData em ambiente multi-cloud para um dos maiores bancos privados da América Latina, com mais de 60 milhões de clientes.
DeepLGB200Treinamento de modelos Mixture-of-Experts de próxima geração, buscando eficiência tanto em treinamento quanto em inferência.
Microsoft / OpenAIGB300 NVL72Cluster Azure em grande escala: throughput, latência, memória e rede escalando como um único sistema.
LambdaGB300 NVL72AI Factory de mais de 100 MW em Kansas City, planejada com mais de 10.000 GPUs — energia e data center convertidos em capacidade vendável.
Together AI / 5CB200, GB200 e GB300AI Factory em Maryland com B200 e nova instalação em Memphis com GB200/GB300 para aplicações AI-native.
Global AI128 racks GB300 NVL72Mais de 9.000 GPUs em Nova York: o rack deixa de ser unidade isolada e vira bloco repetível de uma AI Factory.

O que esses cases ensinam: o objetivo não é simplesmente possuir GPUs. O valor aparece quando compute, NVLink, rede scale-out, storage, software, energia e cooling são tratados como uma única fábrica capaz de entregar tokens, treinamento, simulações e serviços com previsibilidade operacional.

Por que o Vera Rubin é o próximo passo

Em 2026, a NVIDIA informou que o Vera Rubin NVL72 entrou em ramp de produção, com racks operando em parceiros como CoreWeave, Google Cloud, Microsoft Azure, Oracle Cloud Infrastructure e Nebius. A Microsoft anunciou Rubin para futuros sites Fairwater, enquanto a CoreWeave passou a integrar sistemas Rubin para workloads de treinamento, inferência e agentic AI.

Vista de produto do rack Vera Rubin NVL72 destacando a densidade dos módulos empilhados
Vista de produto do rack Vera Rubin NVL72, destacando a densidade dos módulos. Crédito: NVIDIA.

Mensagem executiva: Vera Rubin deve ser entendido como infraestrutura estratégica para AI Factory e HPC — alto CAPEX e alta densidade, mas capaz de concentrar em poucos racks uma capacidade impossível para servidores convencionais.

Arquitetura sistêmica da AI Factory

A Vera Rubin é uma arquitetura de infraestrutura de IA em escala de rack e POD, desenhada para que computação, memória, comunicação, rede, armazenamento, segurança, potência e resfriamento funcionem como um sistema coordenado. Em modelos atuais, desempenho não depende apenas de FLOPS: é preciso movimentar pesos, ativações e KV cache, sincronizar aceleradores, manter baixa latência e entregar mais tokens por watt.

A mudança estratégica é clara: de servidor isolado para domínio de execução em escala de rack; de pico de FLOPS para tokens úteis por watt e por megawatt; de treinamento puro para treinamento, pós-treinamento e inferência agentiva; de interconexão periférica para memória e comunicação como parte do acelerador.

A plataforma reúne Rubin GPU, Vera CPU, NVLink 6 Switch, ConnectX-9 SuperNIC, BlueField-4 DPU e novas famílias de networking e racks especializados — compute, CPU, storage e Ethernet. O NVL72 é o núcleo de compute desse ecossistema.

A GPU Rubin em detalhes

A Rubin GPU é orientada a workloads de raciocínio, geração, recuperação de dados e uso de ferramentas. A combinação de HBM4, Transformer Engine e NVLink 6 busca manter os aceleradores ocupados mesmo em cargas com comunicação intensa e múltiplas etapas de inferência.

ItemRubin GPUVera Rubin NVL72
Transistores336 bilhões
SMs / Tensor Cores224 / 89672 GPUs
NVFP4 inferência50 PFLOPS3.600 PFLOPS
Memória288 GB HBM420,7 TB HBM4
Largura de banda HBM422 TB/s1.580 TB/s agregado
InterconexãoNVLink 6: 3,6 TB/s260 TB/s no rack

Leitura correta: os valores acima são especificações e picos divulgados para a plataforma. Desempenho de aplicação depende de framework, kernel, precisão, modelo, batch, contexto e estratégia de paralelismo.

Em inferência, especialmente na fase de decode, mover pesos e estado do modelo pode ser tão determinante quanto executar multiplicações. Por isso o Vera Rubin combina capacidade de memória, grande largura de banda e uma malha de comunicação de baixa latência.

  • Até 288 GB de HBM4 por GPU Rubin e até 22 TB/s de largura de banda de memória por GPU.
  • Mais espaço para pesos, ativações, KV cache e concorrência, com menor necessidade de descarregar estado para camadas mais lentas.
  • Até 3,6 TB/s de scale-up por GPU para o domínio NVLink, com comunicação all-to-all entre as GPUs do NVL72.
  • NVLink-C2C de alta largura de banda para comunicação coerente CPU-GPU.
  • Redução do overhead de sincronização e do tempo perdido em transferência em workloads MoE e distribuídos.

Por que isso importa: modelos Mixture-of-Experts distribuem tokens entre especialistas. Quanto mais tempo o rack gasta transferindo pesos e sincronizando GPUs, menor é a fração de energia convertida em trabalho útil. HBM4 e NVLink 6 atacam diretamente esse gargalo.

Treinamento, inferência e IA agentiva

Um agente não responde apenas a uma pergunta: ele planeja, chama ferramentas, consulta fontes, verifica resultados e pode gerar várias sequências de tokens antes de concluir uma tarefa. Isso aumenta o volume de inferência e torna a latência por etapa crítica.

TreinamentoInferência e agentic AI
Modelos MoE e foundation models de grande escala.Serviços interativos com baixa latência.
Tensor, pipeline e expert parallelism.Long-context e grandes KV caches.
Alta comunicação para sincronização e roteamento de tokens.Alta concorrência e batching contínuo.
HBM4 para manter parâmetros e estados próximos do compute.Otimização por tokens/s, tokens/W e custo por milhão de tokens.

Em cenários específicos a NVIDIA posiciona o Vera Rubin para entregar ganhos expressivos em tokens por megawatt e custo por milhão de tokens frente a gerações anteriores. Trate esses números como referências de plataforma, condicionadas a modelo, software, precisão e configuração.

Rede, armazenamento e segurança

A plataforma não termina na GPU. Para manter 72 aceleradores ocupados, tráfego east-west, acesso ao storage e proteção do workload precisam ser tratados como partes do computador.

  • Rede: ConnectX-9 SuperNIC para scale-out de altíssima largura de banda; Quantum-X800 InfiniBand e Spectrum-X Ethernet para clusters multi-rack; RDMA e caminhos de baixa latência; arquiteturas spine-leaf e ópticas de alta densidade dimensionadas junto ao compute.
  • Armazenamento contextual: a arquitetura BlueField-4/STX amplia o papel do storage para além de repositório de arquivos, aproximando camadas de contexto e KV cache do domínio de execução — combinado, em projetos reais, com NVMe, parallel file systems, object storage e políticas de tiering.
  • Segurança: BlueField-4 para processamento de rede, offload e políticas; Confidential Computing e proteção de dados em uso, trânsito e repouso conforme suporte da plataforma; isolamento de tenants em cloud e GPUaaS; secure boot, firmware assinado, observabilidade e RAS em escala de rack.

Vera Rubin versus Blackwell

A comparação deve ser feita no nível de sistema. Rubin não é apenas uma atualização de GPU: altera a forma como o data center entrega computação para IA, com novas exigências de memória, rede, potência e refrigeração.

CritérioBlackwell / GB200Vera Rubin / NVL72
FocoTreinamento e inferência em escalaIA agentiva, long-context e eficiência
MemóriaHBM3e, conforme modeloHBM4, até 288 GB/GPU
InterconexãoNVLink 5NVLink 6
Rack de referênciaGB200 NVL72Vera Rubin NVL72
ResfriamentoDirect liquid coolingDirect liquid cooling, rack integrado
EconomiaAlto throughputFoco em tokens por watt e por MW

Visão técnica do rack

O NVIDIA Vera Rubin NVL72 é um sistema rack-scale da terceira geração MGX. O rack integra 72 GPUs Rubin e 36 CPUs Vera, interligadas por NVLink 6, com networking ConnectX-9 e BlueField-4. O objetivo é fazer o rack operar como um grande acelerador único dentro da AI Factory.

ParâmetroReferência
GPUs72 × NVIDIA Rubin
CPUs36 × NVIDIA Vera
HBM4 total20,7 TB
Bandwidth HBM4até 1.580 TB/s
CPU memory54 TB LPDDR5X
Memória rápida total DGX75 TB
NVLink6ª geração
NVLink switch system9 × L1 NVLink Switch Units
Scale-outConnectX-9 / BlueField-4
Cabinet TDP de facilitiesaté 330 kW — referência DSX

Estrutura física: 18 compute trays e 9 NVLink 6 switch trays. Cada compute tray integra 2 Vera Rubin Superchips, totalizando 4 GPUs Rubin e 2 CPUs Vera. O design do tray é modular, cable-free, hose-free e fanless, com manifold interno redesenhado. O rack MGX de terceira geração usa rack manifolds UQD08 e busbars refrigerados a líquido para correntes elevadas.

Especificação de cada compute tray

O compute tray é a unidade de serviço e de cálculo repetida 18 vezes no rack. Cada tray concentra compute, networking, cooling, gerenciamento e power delivery.

ItemPor compute tray
Vera Rubin Superchips2
Rubin GPUs4
Vera CPUs2
HBM4 total1.152 GB (4 × 288 GB)
HBM4 bandwidth88 TB/s agregado
CPU cores176 Olympus cores
CPU memoryaté 3 TB LPDDR5X
NVFP4 inference200 PFLOPS por tray
NVLink 614,4 TB/s agregado
NetworkingConnectX-9 + BlueField-4
CoolingDirect Liquid Cooling, tray fanless

Atenção à potência por lâmina: a documentação pública detalha capacidade e arquitetura do tray, mas o Max Power/TDP elétrico definitivo por compute tray deve ser obtido no Site Planning/Reference Design final. Não derive o circuito elétrico apenas dividindo 330 kW por 18.

Detalhe de módulos, cabos de rede e indicadores luminosos em rack de validação
Detalhe real de módulos, cabos e indicadores em ambiente de validação. Crédito: registro editorial reproduzido no e-book EnQ Digital.

Sumário executivo de facilities

O Vera Rubin NVL72 representa uma mudança de escala no projeto de infraestrutura física para IA. Para facilities, a referência NVIDIA DSX evolui para um Cabinet TDP de até 330 kW por rack e para uma estratégia de refrigeração líquida de alta temperatura.

Parâmetro-base para pré-projetoValor de referência
Cabinet TDP DSX330 kW por rack
TCS design flow≥ 1,5 LPM/kW
Vazão de referência por rack≥ 495 LPM (29,7 m³/h)
Tipo de CDULiquid-to-liquid
Redundância de CDUN+1
Cooling design point45 °C
Infográfico da solução de refrigeração líquida do Vera Rubin NVL72, do dry cooler ao rack, com parâmetros de referência e fabricantes de CDU
Visão geral da arquitetura de refrigeração líquida: dry cooler/chiller, FWS, CDU, TCS supply e return. Ilustração técnica consolidada — valores devem ser confirmados no projeto final NVIDIA/OEM.

Arquitetura DLC: FWS, CDU, TCS e rack

A solução usa dois circuitos hidráulicos separados por um trocador de calor. Entender essa separação é o que evita os erros mais caros do projeto.

DRY COOLER / CHILLER rejeição de calor para a atmosfera FWS — circuito primário (~41 °C supply) CDU LIQUID-TO-LIQUID trocador, bombas, controle e N+1 TCS supply — circuito secundário (~45 °C) VERA RUBIN NVL72 — 330 kW cold plates, manifolds UQD08, busbar cooling vazão mínima ≈ 495 LPM (1,5 LPM/kW) TCS return 55–65 °C típico O CALOR PERCORRE: CHIP → COLD PLATE → TCS → CDU → FWS → ATMOSFERA cada elo precisa de capacidade, vazão, pressão e monitoramento próprios

O que são FWS, CDU e TCS

FWS — Facility Water System. É o circuito primário do data center. Transporta calor entre as CDUs e a planta de rejeição térmica — normalmente chillers, dry coolers, bombas e trocadores da Central Utility Building. O FWS não deve ser confundido com o fluido técnico que circula dentro dos racks. Utiliza tipicamente água industrial ou água gelada, com temperaturas na faixa de 20–32 °C dependendo do projeto, e requer tratamento químico e filtragem.

CDU — Coolant Distribution Unit. É a interface térmica e hidráulica entre o FWS e o TCS. Em uma CDU liquid-to-liquid, um heat exchanger mantém os dois circuitos separados. A CDU controla temperatura, vazão, pressão e differential pressure, e normalmente inclui bombas redundantes, filtragem, sensores, controles e integração ao BMS. Está disponível em capacidades de 380 kW a mais de 3 MW conforme fabricante.

TCS — Technology Cooling System. É o circuito secundário, de qualidade técnica, que sai da CDU e alimenta diretamente os manifolds e cold plates do equipamento de TI. Para o projeto Vera Rubin, o TCS precisa ser dimensionado pelo operating point térmico e hidráulico do rack, e não apenas pela capacidade nominal em kW da CDU.

Regra prática: FWS = água da instalação | CDU = separação e controle | TCS = fluido técnico que chega ao rack | DLC = remoção de calor diretamente no chip.

Diagrama da arquitetura de refrigeração líquida separando circuito primário FWS e circuito secundário TCS através da CDU
Dois loops separados: Facility Water System (primário) e Technology Cooling System (secundário), com a CDU como interface. Ilustração técnica.

45 °C de cooling: por que isso muda o data center

A NVIDIA descreve os racks MGX como projetados para operar com warm-water inlet de 45 °C. Em um cenário de referência, água de facility na ordem de 41 °C alimenta a CDU, que fornece aproximadamente 45 °C ao rack. O objetivo é ampliar a janela de rejeição de calor sem depender continuamente de compressão mecânica.

  • Maior possibilidade de dry cooling e free cooling em vários climas.
  • Menor consumo de compressores e potencial redução de PUE.
  • Mais do orçamento elétrico do site pode ser direcionado ao compute.
  • A arquitetura liquid-to-liquid permite separar a qualidade do fluido de TI da água do facility.
  • 45 °C é um design point: temperaturas, approach e limites finais devem vir do projeto contratado.

Não confundir: 45 °C de TCS supply não significa que o Facility Water obrigatoriamente entra na CDU a 45 °C. A CDU precisa de uma diferença térmica (approach) e o design FWS/TCS deve ser verificado pelo fabricante.

Dimensionamento térmico e hidráulico

O DSX informa que o Cabinet TDP escala até 330 kW para o Vera Rubin NVL72. Para pré-projeto de cooling, esse é o valor de referência mais consistente para dimensionar heat rejection, CDU e distribuição, até que o Site Planning final indique valores específicos de MaxP/MaxQ. O DSX define ainda um TCS design flow de pelo menos 1,5 LPM/kW.

Cálculo por rack: 330 kW × 1,5 LPM/kW = 495 LPM = 29,7 m³/h por Vera Rubin NVL72.

RacksCarga térmicaTCS mínimoVazão
1330 kW495 LPM29,7 m³/h
2660 kW990 LPM59,4 m³/h
41,32 MW1.980 LPM118,8 m³/h
82,64 MW3.960 LPM237,6 m³/h
165,28 MW7.920 LPM475,2 m³/h

ΔT: transformando kW e vazão em temperaturas

O balanço térmico de um circuito de água pode ser aproximado por Q = ṁ × Cp × ΔT. Em água, 495 LPM equivalem a aproximadamente 8,25 kg/s. Para 330 kW, o ΔT teórico é da ordem de 9,6 °C.

Exemplo didático: se o TCS entrar a 45 °C e remover 330 kW a cerca de 495 LPM com propriedades próximas às da água, o retorno teórico ficaria próximo de 54–55 °C. Esse valor é apenas indicativo; o coolant e as temperaturas finais devem seguir o OEM e a CDU.

  • Maior ΔT pode reduzir a vazão exigida para a mesma carga, mas deve respeitar os limites do rack.
  • Maior concentração de glicol altera densidade, viscosidade e capacidade térmica.
  • A capacidade publicada de uma CDU depende do approach temperature e do operating point.
  • Use as curvas do fabricante, não apenas a potência nominal de catálogo.

Como interpretar ΔP e o Pump Head

ΔP lê-se "Delta P" e significa diferença de pressão. Em um circuito hidráulico, representa a perda de pressão entre dois pontos. Se o rack recebe 3,0 bar e retorna 2,2 bar, o ΔP do rack é 0,8 bar.

Pump Head total: ΔP CDU + ΔP piping + ΔP main manifold + ΔP rack drop + ΔP valves + ΔP hose/flexible + ΔP Rubin rack + design margin.

A bomba da CDU deve fornecer vazão suficiente no Pump Head requerido. Uma CDU de muitos megawatts pode não atender ao projeto se sua curva de bomba não entregar a vazão necessária no ΔP real do circuito.

  • Obter do OEM o ΔP do rack na vazão nominal e na máxima.
  • Calcular perdas de carga dos headers de supply e return.
  • Somar válvulas, filtros, conexões, flexíveis, manifolds e acessórios.
  • Aplicar margem coerente para tolerâncias, envelhecimento, fouling e expansão.
  • Verificar NPSH, cavitação e operação das bombas em paralelo quando aplicável.
Diagrama do CDU Pump Head somando as perdas de pressão de CDU, tubulação, manifold, válvulas, mangueiras e rack
Elementos que compõem a perda de pressão total do loop secundário e a margem de projeto. Ilustração técnica.

Manifolds, cold plates e interface do rack

Na terceira geração MGX, a NVIDIA descreve novos manifolds internos de tray, rack manifolds UQD08 e busbars refrigerados a líquido capazes de suportar correntes muito elevadas. O compute tray foi redesenhado para um conjunto cable-free, hose-free e fanless.

  • O supply manifold distribui o coolant pelos trays; o return manifold coleta o fluido aquecido.
  • Universal Quick Disconnects (UQD08) facilitam conexão e manutenção.
  • Cold plates transferem calor diretamente de GPU, CPU e demais componentes ao fluido.
  • A interface externa do rack — diâmetro, padrão de conexão, working pressure e posição — deve vir do desenho mecânico do OEM.

Informação obrigatória para o projeto: não assuma que o conector interno UQD08 é o mesmo conector externo do rack. Solicite o Rack Supply/Return Interface Drawing com quantidade de conexões, diâmetro, tipo, altura, orientação, pressão e requisitos de isolamento.

Como selecionar a CDU

A seleção não deve ser feita apenas por "MW da CDU". É necessário validar simultaneamente capacidade térmica, vazão, pressão disponível, approach, fluido, materiais, redundância, alimentação e controles.

CritérioO que validar
Capacidade térmica≥ carga dos racks no operating point e ATD definidos
Vazão secundária≥ 1,5 LPM/kW como referência DSX
Pump HeadSuficiente para o ΔP total calculado
TipoLiquid-to-liquid na referência DSX
RedundânciaN+1 em grupos de CDU
BombasRedundância, failover e curva validada
Fluido e materiaisCompatibilidade química e wetted materials
FiltragemRating compatível com o OEM
ControlesConstant flow ou constant ΔP conforme estratégia
IntegraçãoBMS, DSX Exchange e Mission Control
ManutençãoIsolamento, bypass e troca sem impacto indevido

Exemplo: para 1 rack são 330 kW e ≥ 495 LPM. Uma CDU nominal de 380 kW / 600 LPM pode parecer suficiente, mas a decisão só é válida se ela entregar esses valores no ΔP e no approach reais do projeto.

DSX Marketplace: MP Ready x Sample Ready

O NVIDIA DSX Infrastructure Marketplace publica CDUs submetidas à CDU Self-Qualification Suite e indica o status da cadeia de fornecimento. MP Ready não é sinônimo isolado de homologação: é um indicador de prontidão para produção em massa, enquanto a coluna Validation Type mostra os testes técnicos realizados.

StatusSignificado prático
MP ReadyMass Production Ready: produto em estágio de fornecimento em escala.
Sample ReadyProduto disponível em estágio de amostra/qualificação, ainda sem o mesmo status de produção em massa.
Validation TypeLista os ensaios realizados: hydraulic constant flow/DP, thermal capacity, pump failover, flow accuracy, group control e outros.

Os ensaios publicados incluem Hydraulic Test (Constant Flow e Constant DP), Pumping Capacity, Thermal Test (Nominal Capacity e Low Load), Flow Sensor Accuracy, Cold Start Test, Pump Failover, Group Control e Wetted Materials Compatibility.

Fabricantes de CDU no ecossistema DSX

A lista pública é dinâmica. Os valores abaixo refletem a consulta de 04/09/2026 e devem ser reconfirmados antes da compra.

FabricanteModeloCapacidade @ 4 °C ATDFlow @ 35 psiStatus
AVCCDU1000-LTL-RW1,2 MW1.600 LPMSample Ready
BoydROL23001,1 MW2.600 LPMMP Ready
Carrier65LL1,2 MW2.500 LPMSample Ready
CoolITCHx15001,5 MW1.950 LPM
DeltaRDF106CDT51921,0 MW1.500 LPMMP Ready
DeltaCDU30002,0 MW3.200 LPM
Johnson ControlsSACDU-10501,0 MW
LG ElectronicsLGE600 kW850 LPM
LiquidStackL2L CDU800800 kW1.200 LPM
LiquidStackD1PM202,5 MW3.750 LPM
LITEONLC-LL-WCDU-6011(S)380 kW600 LPMSample Ready
MEPPIME-CDU 12001,25 MW
MotivairMCDU501,7 MW1.136 LPMMP Ready
MotivairMCDU551,3 MW1.616 LPMSample Ready
NautilusEcoCore FCD3,6 MW3.300 LPM

Estratégia de aquisição no Brasil

Para implantação no Brasil, é recomendável separar três critérios: presença local do fabricante, disponibilidade do modelo exato e status de validação do modelo no ecossistema NVIDIA. Uma empresa pode ter operação brasileira sem manter em estoque local a CDU específica do projeto Rubin.

Fabricante / ecossistemaEvidência pública no BrasilObservação
Schneider Electric / MotivairPortfólio brasileiro de liquid cooling e CDUsPublica CDUs Motivair e serviços locais; validar o modelo DSX específico.
Delta ElectronicsGoCool LTL no site brasileiroGoCool-1000/1200/1500/3000; validar equivalência e status do modelo exato no DSX.
Johnson Controls / Silent-AirePágina brasileira de data centers e liquid coolingBoa presença de serviços; validar SACDU, modelo e lead time.
CarrierPresença regional/global e CDU 65LLConfirmar disponibilidade local e status de supply chain.
LGOperação localConfirmar modelo de CDU, suporte e BOM para Rubin.

Recomendação de compra: emitir RFI/RFQ para pelo menos três fornecedores e exigir curva de bomba, thermal map por ATD, materiais molhados, qualidade do coolant, redundância, integração BMS, FAT/SAT, peças de reposição e compromisso de suporte no Brasil.

Potência elétrica, kVA e consumo

O DSX publica 330 kW como Cabinet TDP. Para aproximação de infraestrutura elétrica, kVA = kW / fator de potência. O dimensionamento final, porém, deve usar o electrical site planning e os limites de alimentação do rack, não apenas o TDP térmico.

Fator de potênciaCálculoEquivalência
PF 0,95330 kW / 0,95347,4 kVA
PF 0,98330 kW / 0,98336,7 kVA
PF 0,99330 kW / 0,99333,3 kVA

A NVIDIA não publica um consumo médio universal do Rubin. Treinamento, inferência, comunicação e perfis MaxP/MaxQ produzem cargas diferentes. Use cenários de utilização somente para orçamento de energia, nunca para reduzir a capacidade física instalada.

CenárioPotência médiaEnergia em 730 h
50% do envelope165 kW120,5 MWh/mês
70%231 kW168,6 MWh/mês
80%264 kW192,7 MWh/mês
90%297 kW216,8 MWh/mês
100%330 kW240,9 MWh/mês

Requisitos integrados para o data center

DomínioPontos a validar
EspaçoU ocupado, peso, acesso, rota de movimentação, piso e área de manutenção.
EnergiakW/kVA por rack, arquitetura A/B, UPS, PDU, proteção, aterramento, harmônicas e expansão.
TérmicoCDU, vazão, ΔP, supply/return, temperatura, qualidade do fluido e leak detection.
RedeInfiniBand/Ethernet, fibra, transceptores, latência, cabeamento e spine-leaf.
StorageNVMe, parallel file system, object storage, throughput e metadata.
OperaçãoNOC, DCIM/BMS, telemetria, spare parts, treinamento, RMA e procedimentos de emergência.

Checklist de recebimento: confirmar modelo e revisão; obter desenho dimensional e de peso; solicitar Max-P/TDP, vazão nominal, mínima e máxima e ΔP; validar supply/return e CDU; executar FAT/SAT, teste hidráulico, teste de carga e validação de rede.

BMS, Mission Control e observabilidade

O cooling de uma AI Factory precisa ser observável em tempo real. A documentação DSX publica um catálogo de pontos para integração entre BMS e o ecossistema NVIDIA/DSX Exchange.

PontoUso operacional
CDULiquidSupplyTemperatureTemperatura de TCS supply
CDULiquidReturnTemperatureTemperatura de TCS return
CDULiquidDifferentialPressureΔP do circuito secundário
CDULiquidFlowVazão em LPM
CDULiquidSystemPressurePressão do sistema e do return
Leak detection / alarmsEventos de vazamento e anormalidade
CDU availability/statusDisponibilidade e estado operacional
  • Alarmes por temperatura, vazão, ΔP e pressão fora da faixa.
  • Trend histórico para detectar fouling, filtro saturado e degradação de bomba.
  • Interlock e lógica de isolamento conforme matriz de causa e efeito.
  • Integração dos eventos de facility com Mission Control/DSX para operação coordenada de power e cooling.

RFI técnico: 12 informações obrigatórias

Antes do projeto executivo, estas doze informações precisam sair do fabricante ou do representante — não de estimativa.

#InformaçãoPor que é indispensável
1Quantidade exata de Vera Rubin NVL72Define escala total, potência, cooling, vazão, CDU, redundância e expansão.
2Max-P/TDP confirmado por rackBase para energia e carga térmica, no perfil operacional contratado.
3TCS design flow por rackVazão nominal para remover a carga e dimensionar bombas, headers e CDU.
4TCS minimum/maximum flowLimites operacionais contra subfluxo, excesso de vazão e operação fora do envelope.
5TCS supply/return temperaturesDetermina ΔT, approach da CDU, eficiência térmica e capacidade de rejeição.
6ΔP do rack na vazão nominal e máximaNecessário para calcular Pump Head e selecionar bombas e válvulas.
7Working pressure e maximum allowable pressureDefine limites de segurança do circuito, hoses, válvulas e conexões.
8Coolant / water-quality specificationEspecifica fluido, química, pH, condutividade, filtragem e materiais compatíveis.
9Rack Supply/Return connection type e dimensionsDefine diâmetro, tipo, posição, quantidade e padrão das interfaces hidráulicas.
10CDU approved/validated modelsAlinha a seleção ao DSX Marketplace e à configuração OEM.
11BMS/Mission Control telemetry requirementsDefine sensores, protocolos, alarmes e pontos de integração IT/OT.
12Site Planning Guide / Reference Design finalDocumento de autoridade para validar o projeto executivo antes da implantação.

Pacote mínimo esperado na resposta: tabela preenchida com valores nominais, mínimos e máximos e respectivas unidades; curvas hidráulicas do rack e da CDU nos operating points relevantes; desenhos mecânicos das interfaces supply/return; especificação química do coolant e materiais molhados; lista de alarmes, sensores, protocolos e pontos de integração BMS/DSX; e documentos finais de Site Planning, FAT/SAT e critérios de aceite.

Exemplo de pré-dimensionamento com 8 racks

Este exemplo serve apenas para sizing inicial. O projeto executivo deve fechar ΔP, curvas das bombas, topologia hidráulica, diversificação, redundância, expansão e envelope elétrico.

ParâmetroValor de pré-projeto
Racks Vera Rubin8
GPUs Rubin576
CPUs Vera288
Cabinet TDP agregado2,64 MW
TCS design flow mínimo3.960 LPM
Vazão equivalente237,6 m³/h
Cooling architectureLiquid-to-liquid CDU group
CDU redundancyN+1
TCS supply design pointClasse 45 °C
BMSSupply/return temp, flow, ΔP, pressure, alarms

Seleção da CDU: não use apenas 2,64 MW dividido pela capacidade nominal. Verifique também se o grupo de CDUs entrega ≥ 3.960 LPM no Pump Head total e no approach térmico do projeto, mantendo N+1. Para clusters maiores, a distribuição deve ser concebida como planta hidráulica de alta capacidade, com headers principais, isolamento por rack e ramal, balanceamento, instrumentação e estratégia de manutenção concorrente.

Comissionamento e testes

Um sistema DLC de alta densidade precisa ser comissionado como infraestrutura de missão crítica. O FAT da CDU e o SAT do sistema devem validar não só a potência térmica, mas o comportamento hidráulico e de controle.

  • Flushing e limpeza das tubulações antes da conexão ao rack.
  • Análise química do coolant e verificação de materiais compatíveis.
  • Teste hidrostático conforme pressão admissível e procedimento do fabricante.
  • Verificação de vazão por ramal e balanceamento dos racks.
  • Teste de ΔP em carga nominal e máxima.
  • Teste de pump failover e perda de alimentação A/B.
  • Teste de válvulas de isolamento e bypass.
  • Leak detection e causa/efeito no BMS.
  • Validação de sensores de temperatura, pressão e vazão.
  • Teste de perda do FWS, recuperação e sequência de restart.
  • Teste de operação N+1 com uma CDU indisponível.
  • Registro de baseline para operação e manutenção preditiva.

Critério de aceite: a entrega deve incluir curvas as-built, parâmetros de controle, setpoints, matriz de alarmes, water-quality baseline, lista de peças críticas e procedimento de resposta a vazamentos.

Principais riscos de projeto

RiscoImpacto
CDU escolhida apenas por MWPode faltar vazão ou Pump Head no operating point real.
ΔP do rack desconhecidoImpossibilita dimensionar corretamente as bombas.
Conector do rack assumidoPode gerar incompatibilidade mecânica e retrabalho.
Water quality indefinidaRisco de corrosão, fouling e falha de cold plates.
Sem N+1 realManutenção ou falha de CDU pode afetar múltiplos racks.
Sem isolamento por rackAumenta o blast radius de manutenção e vazamento.
Sem BMS/telemetria adequadaPerda de detecção precoce de degradação.
Usar consumo médio para sizingCria risco de insuficiência em MaxP.
Ignorar ATD/approachA capacidade nominal da CDU pode não existir nas temperaturas do projeto.
Não validar disponibilidade localRisco de lead time, spare parts e suporte insuficiente no Brasil.

Glossário rápido

TermoDefinição
DLCDirect Liquid Cooling — refrigeração direta por líquido.
FWSFacility Water System — circuito primário da instalação.
TCSTechnology Cooling System — circuito secundário que atende o equipamento de TI.
CDUCoolant Distribution Unit — interface FWS/TCS com trocador, bombas e controles.
ΔPDelta P — diferença ou perda de pressão entre dois pontos.
ΔTDelta T — diferença de temperatura entre supply e return.
Pump HeadPressão ou altura manométrica que a bomba precisa fornecer para vencer as perdas do circuito.
Cold plateTrocador em contato térmico com chip ou componente.
ManifoldColetor e distribuidor de supply e return.
UQD08Universal Quick Disconnect usado na arquitetura MGX de terceira geração.
ATDApproach Temperature Difference do heat exchanger ou da CDU.
MP ReadyMass Production Ready — status de supply chain no NVIDIA DSX Marketplace.
Sample ReadyEstágio de amostra e qualificação no Marketplace.
BMSBuilding Management System.
DSXArquitetura e ecossistema NVIDIA para AI Factory, incluindo facilities, hardware e IT/OT.

Documentos que devem ser solicitados

  • NVIDIA Vera Rubin NVL72 Reference Design — NVOnline #1151654.
  • NVIDIA DSX — Vera Rubin Facilities Infrastructure Reference Design — NVOnline #1145739.
  • NVIDIA DSX Facilities Infrastructure Design Guide — NVOnline #1152370.
  • Site Planning / Power & Cooling Specification final da configuração adquirida.
  • Rack Supply/Return Interface Drawing e coolant/water-quality specification.

Data de corte: conteúdo técnico e lista de fornecedores verificados em 04/09/2026. O NVIDIA DSX Marketplace é dinâmico; revalide status, capacidade, flow e disponibilidade no momento da contratação.

Referências técnicas

Conclusão

A principal inovação do Vera Rubin é sistêmica. O valor não está em uma GPU isolada, mas na combinação de compute, HBM4, NVLink 6, rede scale-out, storage, segurança, energia e Direct Liquid Cooling operando como uma única fábrica de computação.

Para empresas e data centers, a oportunidade está em transformar energia e infraestrutura física em capacidade útil de IA: treinamento de modelos, inferência agentiva, GPUaaS, pesquisa científica, simulação e serviços soberanos. O desafio também é sistêmico — elétrica, hidráulica, conectividade, software, observabilidade, operação e suporte precisam evoluir no mesmo ritmo do acelerador.

A pergunta correta: em vez de perguntar apenas quantas GPUs cabem no rack, o projeto deve responder quantos tokens úteis, agentes concluídos, simulações e workloads de negócio o data center consegue produzir por megawatt — com disponibilidade, segurança e previsibilidade operacional.

  • Consolidar a demanda real de treinamento, inferência e HPC.
  • Confirmar Max-P/TDP e o TCS design flow da configuração contratada.
  • Calcular o Pump Head total antes de escolher a CDU.
  • Emitir RFI para pelo menos três fornecedores com o pacote mínimo de dados.
  • Definir critérios de comissionamento antes da contratação.
  • Planejar telemetria, operação e manutenção desde o início.

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